Sobre mim

Paula Neves é praticante de Yoga desde 2001 e ensina desde 2008.
Desde 2012 dedica-se à prática Iyengar e desde 2013 frequenta a formação especializada de três anos TTC Iyengar com o professor Billy Konrad (Senior Iyengar Yoga Instructor).
Iniciou este percurso em 2003, no Centro Português de Yoga, desenvolvendo a sua prática individual sob a orientação do Professor Carlos Rui. Em 2006 imergiu na formação para professores de três anos, onde obteve a Certificação de Instrutora de Yoga pelo CPYoga – Lisboa em 2009.
Pratica regularmente com Billy Konrad (Iyengar, USA) em Lisboa e complementa os seus estudos em workshops intensivos com Patxi Lizardi (Iyengar, ES), Christan Pisano (Iyengar, FR), Susanne Kemmerer (Iyengar, DE), Carlos Rui (PT) e Nuno Cabral (PT).

Photo Credit: Chiara Gini

Sobre a minha motivação

A ciência do Yoga é tão antiga como a humanidade, transmitida com sig?lio e perseverância desde a antiguidade atá aos nossos dias. Esta é a prova de que detém em si algo de muito precioso para o Indivíduo.
Ao longo do meu percurso pessoal de prática, testemunhei os efeitos profundos sobre o meu corpo e mente. Testemunhei como a energia se move no correcto alinhamento bio-mecânico, como este desaloja o Ego e como regenera perante a emersão da qualidade do descernimento. É o resultado desta vivência prática e profundamente transformadora, que procure partilhar nas minhas aulas.
Yoga é uma arte que injecta inteligância em todas as células do Ser Humano. Ao focar a mente no corpo, aprofunda-se a consciência interna. Através do programa de sequências e com o apoio de materiais, o corpo progride naturalmente para a execução correta e consciente dos ásanas. Desta forma as posturas se vão revelando como um todo, (re)unindo a mente e o corpo.
A prática propolsiona o discernimento em relação a nós mesmos e ao que nos rodeia. Logo aumenta a capacidade de nos mantermos centrados e tranquilos perante as inevitáveis oscilações que a vida nos traz. Benefícios físicos como o aumento do tónus muscular e flexibilidade, correcção da postura, regulação do sistema circulatório e imunológico, establização do sistema nervosa, etc, … são apenas um resultado complementar.
De facto, quanto mais conscientes, saudáveis e equilibrados, mais livres e radiantes somos como seres humanos completos.
Em resumo, a minha motivação é conduzir o praticante de forma segura e entusiasta, para a sua melhor forma física e mental, tendo em conta o seu bem-estar holístico.

Sobre os meus valores

Afinal é apenas na relação com os outros que podemos verificar o fitness da nossa alma. Procuro por isso seguir as linhas guia de Patanjali, e que muito se assemelham ás da tradição judaico-cristã, mais comum na nossa cultura.

Para quem procura a liberdade, Patanjali recomenda desenvolvermos quarto atitudes (brahmavihara) perante as vicissitudes da vida. Estas devem ser aplicados em todas as nossas relações e situações:

  1. Desapego perante a felicidade
  2. Compaixão pelos que sofrem
  3. Celebrar o bom nos outros
  4. Equanimidade perante os defeitos e imperfeições dos outros
    (Yoga-Sutra, I.33)

As qualidades do brahmavihara constroem as bases da saúde individual e coletiva. Aplicando em conjunto as virtudes sociais do Yama, podemos garantir o bem estar social como um todo, desde que mantemos uma boa organização interior segundo os preceitos do Niyama.

Patanjali assim instiga ao praticante o life-style apropriado ao yogui, que garante a manutenção de uma mente serena e pura, em qualquer situação ou fase de vida.

Sobre os preceitos éticos do Yama e Niyama

Yama (refreamentos)

Esta regra implica não só a abstenção de assassínios ou actos de violência, como ainda de qualquer acto nocivo, em pensamentos, palavras ou actos.
Obrigação não só para com o outro, mas também para com nós mesmos: fazer corresponder á verdade as nossas palavras e os nossos pensamentos.
Esta obrigação inclui a abstenção do roubo, e também da cobiça, ainda que sob a forma do desejo. Tudo o que um homem possui, pertence-lhe porque o ganhou e ninguém tem o direito de lho tirar. Não se pode tomar aquilo que não foi dado, aquilo que não foi obtido por meios justos ou aquilo a que se não tem direito, por estatuto ou função. Este refreamento permite-lhe manter a sua próprio dignidade.
O sentido da palavra “Brahmacharya” é “caminhar com brahman”, “viver com o sagrado”. Esta palavra designava o periodo da vida do brahman, durante o qual este se consagrava exclusivamente ao estudo dos Vedas, junto de um mestre. A castidade era uma das disciplinas exigidas ao estudioso brahman, equiparando-se ao controlo que tinha de exercer sobre todos os outros órgãos de sensação e de acção.
Este refreamento tem por finalidade por termo á procura de objectos externos que proporcionem gozo e poder. O homem tem tendência para acumular indefinidamente os bens materiais. O tempo e a energia desperdiçados na aquisição e na preservação de bens supérfluos são subtraídos á prática do Yoga.

Niyama (observâncias)

Aquele que aspira a ser um yogin tem de observar preceitos de higiene corporal externa, mas também de proceder á purificação interior dos seus órgãos, regulando correctamente a sua maneira de viver. A força, a clareza e a subtileza do pensamento dependem em grande medida da qualidade do corpo, pelo que o yogi precisa de ter um corpo harmonioso e puro, que seja um instrumento simultaneamente sensível e sólido.
Obrigação não só para com o outro, mas também para com nós mesmos: fazer corresponder á verdade as nossas palavras e os nossos pensamentos.
Não é possível praticar o Yoga sem a determinação de envidar todos os esforços, de mobilizar toda a energia e atenção para atingir a finalidade proposta.
Para o yogui, o Svadhyaya é o estudo dos textos tradicionais relativos á Libertação (miss-identification com o ego). Todos os tratados que ensinam os diferentes aspectos do Yoga lhe devem ser familiares, como na aprendizagem de qualquer outra ciência.
Ishvarapranidhana é a oferenda de todas as nossas acções a Deus?, literalmente a acção de depor (nidhana) toda a acção diante (pra) do Senhor (Ishvara), e de a colocar a seus pés. Também significa entregar incondicionalmente as ações e seus frutos a uma vontade superior á sua própria. Pode entender-se como auto-aceitação no momento presente ou, ainda, como serviço á Humanidade.

“There is no progress
toward ultimate freedom without transformation,
and this is the key issue in all lives.”

 

B.K.S. Iyengar, Light on Life